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Month: September 2012

Críticos de Cinema (part un)

São várias as ocasiões em que sou violentamente molestado por jovens cinéfilos de sangue quente que tendem a levar os pequenos prazeres da vida muito a peito. Normalmente porque falo mal de um filme em que pensaram ver a cura de todas as suas moléstias emocionais ou simplesmente gostaram do artista que mata o mau. Ora, quando o pessoal diz à boca cheia que sou um calhau com elevados sintomas de acefalose, incapaz de interpretar conceitos abstratos ou que “era vir um comboio em contra-mão e levar-te”, eu só tenho a dizer que provavelmente têm razão. No entanto, como aqueles que por aqui passam sem ser para ver os artigos que envolvem porno sabem, eu não sou um crítico de cinema. Sou apenas um gajo que aqui se senta ocasionalmente para escrever sobre filmes. Longe de mim almejar tão nobre ocupação. Um plebeu de gama de entrada não pode fazer parte da Schutzstaffel da cinefilia. O que define um crítico de cinema? Que capacidades terá esse guerreiro da luz de possuir para que as suas palavras não sejam meramente um escoar de verborreia indecifrável rumo ao esquecimento?

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V/H/S (2012)

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Fui apanhado de surpresa pela dinâmica de V/H/S. Julgava tratar-se de um filme normal, com uma estrutura narrativa principal, um ou dois arcos secundários, etc. Na realidade V/H/S tem como conceito o encapsulamento de várias curtas metragens num contexto que evoca o mítico formato VHS. O fio condutor é um grupo de jovens que invade uma casa em busca de uma fita rara que lhes irá valer uma valente massa. Quando entram descobrem um cadáver num sofá a olhar para várias TVs que estão a transmitir estática. Por deficiência na descrição da sua missão, começam a ver as cassetes que lá estão até descobrirem se alguma encaixa na descrição “fita rara de incalculável valor de mercado”. Inicialmente ainda pensei que se tratasse do original Tomás Taveira (a cores), mas aquilo com que somos brindados é um dos maiores espectáculos de gore dos últimos tempos.

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Project X (2012)

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Project X é um daqueles filmes tão espalha brasas que uma pessoa sente-se terrivelmente compelida a vê-lo só para perceber de onde raio vem tanto entusiasmo. Quando vi os cartazes no cinema em Coimbra pensei que seria um horrível pestilência que não duraria mais que uma semana em cena pois a  sua projecção teria o mesmo efeito nos cinéfilos que a arca da aliança teve nos nazis no final do Raiders of the Lost Ark. E mais uma vez pude comprovar que o preconceito cinematográfico é uma força em que devemos sempre confiar, mais poderosa do que o próprio amor ou aquela aversão perfeitamente injustificada de olhar directamente para um pedinte.

The Cabin in the Woods (2011)

Cabin In The Woods Anna Hutchison Wolf

A vida de um pai de família, por vezes, tem temporadas de inferno Disney, em que apenas se vê canal Panda, musicais de qualidade duvidosa onde toda a gente veste fatos de pelúcia com animais personificados, cinema infantil a puxar para a lição de moral, minúsculas fadas voadoras com nome de prostituta de jornal, cães, gatos, tartarugas, vacas, lesmas, ornitorrincos ou famílias de pinguins que celebram o dia de acção de graças e toda uma parafernália de entretenimento capaz de levar à loucura o próprio Dalai Lama. Já não há sequer paciência para Clone Troopers nem para a versão 3D do mestre Yoda. São alturas como estas em que sentimos saudades de um bom massacre. Decapitações, trucidações de comboio a grupos de escuteiros, autocarros de freiras septuagenárias atirados em chamas para fossos de crocodilos. Facadas, esventramentos, degolações, violações em massa por grupos de motoqueiros com Sida (e os seus cães). Estes pequenos prazeres que nos ajudam a equilibrar a mente , para que não nos deixemos influenciar por criaturas de peluche que passam a vida a ostentar piqueniques pomposos e casas de características milionárias sem se lhes ver nenhum meio legal de subsistência.

Men in Black 3 (2012)

Apesar de ser um sci-fi geek que não resiste a nenhuma premissa do espaço e de qualquer uma das 11 dimensões conhecidas (por mais idiota que seja), nunca nada no mundo dos Men in Black me atraiu. Não são filmes de ficção científica, no seu verdadeiro sentido, são publicidades de duas horas que se preocupam imenso com o estilo de vestir, os acessórios, o coolness azeiteiro sem prestar grande atenção à componente de ficção científica. É o Will Smith Gettin’ Jiggy  e o Tommy Lee Jones a fungar de tédio e a dar a entender que se soubéssemos os verdadeiros segredos do universo o nosso cérebro entraria em colapso perante a magnitude deste conhecimento proibido. Depois tudo se resume a cães que falam, gremlins que fumam, carros que voam e óculos Rayban. A verdadeira ficção científica é um MacGuffin. Digamos que segue uma lógica usada abundantemente em Hollywood, que é a lógica da batata.

Evil Ed (1995)

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Em meados dos anos 90 usava as funcionalidades da recente Internet para alargar os meus horizontes cinéfilos. Finalmente estava livre das revistas pagas e fortemente parciais, os críticos mega-estelares com elevada auto-estima da imprensa nacional ou o Top Video na RTP1. Não havia ainda redes sociais, mas havia email e sites mono-página com gifs animados que rodavam a dizer “new” e “hot”. A IMDB dava os primeiros passos e ainda não tinha sido comprada pela Amazon. Um dos meus penfriends por email era um jovem sueco que partilhava comigo o gosto pelo cinema fantástico, terror e sci-fi. Trocávamos filmes em VHS. Eu preferia trocar filmes com suecos e holandeses porque eles também não dobravam os filmes, tinham legendas como nós. Eu mandava-lhe um anexos chamado movies.txt e ele devolvia com os que tinha e os que queria. Um dia esse meu amigo sueco (que não lembro o nome nem tenho o contacto) enviou-me um extra, um filme sueco falado em Inglês chamado Evil Ed. Ele insistiu por orgulho patriota que lhe desse prioridade e assim fiz. E foi assim que vi e revi Evil Ed, um tesouro sueco .

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Ivan Vasilevich menyaet professiyu (1973)

Hoje vamos dar um salto ao cinema da extinta URSS para uma pérola de extravagancia soviética, uma misto de ficção cientifica com o mais puro slapstick, um dos exemplos mais famosos de blockbuster soviete. É praticamente impossível resistir a um filme cujo título internacional é “Ivan Vasilievich: Back to the Future”, que mesmo não tendo nada a ver com o homónimo de Michael J. Fox, partilha a sensação de afligimento de quem está involuntariamente entalado numa época que não é sua. No final do filme conseguimos responder à questão meta-física que mais atormenta a humanidade do século XXI: “Porque necessitamos nós de um carregador solar para o nosso smartphone? Para o caso de viajarmos acidentalmente para o passado…

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The Dark Knight Rises (2012)

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The Dark Knight Rises é como aquelas pessoas que se apresentam a si próprias como sendo Dr. Qualquer Coisa. Normalmente licenciados em direito ou economia que mesmo sabendo que o título só se pode aplicar a licenciados em Medicina e doutorados (neste caso deverá escrever-se Doutor) insistem em que lhes seja atribuído um título que não têm. É um filme presunçoso que desde início se faz anunciar como um filme espectacular, levando as mais frágeis mentes a  acreditar de antemão estar perante um clássico instantâneo quando, na realidade, estamos perante um filme fraco. Se todo o dinheiro gasto a fazer este filme fosse trocado por notas de um dólar e depois enrolado em tubos castanhos, dava para limpar o cu a toda a população do médio oriente durante 53 anos.

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Serbuan maut a.k.a. The Raid (2011)

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Qualquer um de nós tem a mesma sensação quando olha para os cartazes em dos filmes em exibição nos multiplexes nacionais. Parece tudo o mesmo filme ou então parecem todos cópias de um estilo específico. Olhamos para qualquer cartaz e percebemos rapidamente a história do filme, o seu progresso e o final. É a triste verdade. Em termos cinematográficos, os nossos salas alimentam-nos sempre a mesma porcaria. Ocasionalmente um improvável filme extra-Hollywood fura esta lobby americanizado do “Tudo o que não é Hollywood é mau!”. Desta vez o cinema de acção americano recebe dois valentes bofetões bem assentes no focinho da Indonésia. The Raid é o melhor filme de acção dos últimos anos. Imparável, electrizante e inovador. Não poupa os espectadores das cenas mais bárbaras e até tem um história e tudo. Vamos então dissecar este bordoada-fest indonésio com tendência para o ocasional desmembramento e a decapitação acidental.

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