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Murphy’s Law (1986) – Charles Bronson e o Amor ao Biqueirão

Há coisas que explicam muito sobre o estado de decomposição da nossa civilização. Hoje , um sujeito liga a televisão e leva com reality shows de saloias mimadas a chorar por causa de unhas partidas ou labregos sensíveis que fazem depilação a laser no rego do cu. Antigamente não. Antigamente, o entretenimento servia-se frio, com sabor a pólvora e suor de quem não toma banho desde que o Muro de Berlim caiu. É esse amor imperfeito por coisas que, racionalmente, não merecem ser amadas, que nos mantém vivos. Uma espécie de masoquismo cinéfilo, como levar com elétrodos no escroto e ainda pedir um cigarro no fim. Murphy’s Law, de 1986, é o exemplo perfeito dessa patetice sublime. O argumento é, possivelmente, o pior de sempre. É um filme que faria qualquer cinéfilo de 2026 corar de vergonha e enfiar a cabeça na areia, mas que a nós, calejados pela lama dos videoclubes, nos enternece.

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Death Wish – Série “Os Reis do Balázio Vintage”

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Está agora a fazer um ano que empacotei os meus filhos e a minha esposa para casa dos meus sogros e fiquei sozinho durante uma semana. Vi-me num vazio rotineiro que tentei apressadamente preencher. Pegar na bicicleta e ir fazer aqueles passeios que tenho pendentes há anos, ir de mota à Figueira da Foz jantar com os amigos, começar finalmente a fazer jogging, fazer um barco com fósforos, resolver problemas eléctricos na garagem, alterar a combustível do condensador de fluxo (plutónio está caro) ou começar a escrever o tal livro… Depois de muito ponderar optei pela mais lógica: ficar deitado semi nú no sofá a ver filmes, com a migalhas na barriga e as mãos cheias de gordura de pizza, incapaz de colocar em pausa porque os comandos tinham entretanto desaparecido para o limbo dos comandos desaparecidos. Acordar todo torto na sala com o nascer do sol e uma poça de baba ao lado da almofada, sentir-me envergonhado por não aproveitar o tempo e deprimido demais para mudar de actividade. Inventar desculpas para a origem daquelas manchas de gordura no sofá. E com isto aproveitei para rever as sagas Dirty Harry e Death Wish. De seguida em formato maratona, coisa que nunca tinha feito. É esta experiência que aqui quero deixar, escolhendo para vós 3 de cada saga para que possam também organizar uma semana dedicada ao tema “Justiça à força de balázio”.

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