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Tag: woody allen

Moonrise Kingdom (2012)

moonrise

Felizmente o cinema actual não é só decadência e unidimensionalidade. Enquanto que o mainstream nos empurra pelas goelas abaixo pastelões desumanizados e inteiramente prostéticos, alguns autores lutam por manter o seu cinema activo. Amantes das artes antigas, dos artesãos da velha escola, tentam honrar os seus ancestrais elevando um pouco a fasquia. Esta tipo de realizadores, os autores, são transversais ao próprio tempo, não se definem num estilo, mas numa vontade que é, obviamente, o cinema na sua linguagem mais pura e honesta. Autores como Woody Allen, Roman Polanski, Quentin Tarantino, Lars von Trier, Wim Wenders, Pedro Almodovar, John Waters, David Cronenberg, Takashi Miike, Michael Haneke, Alfonso Cuarón, Paul Thomas Anderson, Terry Gilliam,  Alejandro González Iñárritu, Takeshi Kitano, Jean-Pierre Jeunet, Martin Scorsese, Jim Jarmusch, Michel Gondry ou mesmo Manoel de Oliveira. Só para falar nalguns mais mediáticos e que de repente me vêm  à cabeça. E, claro, o perfeccionista mais obsessivo compulsivo da actualidade,  o fantástico Sr. Wes Anderson.

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Críticos de Cinema (part un)

São várias as ocasiões em que sou violentamente molestado por jovens cinéfilos de sangue quente que tendem a levar os pequenos prazeres da vida muito a peito. Normalmente porque falo mal de um filme em que pensaram ver a cura de todas as suas moléstias emocionais ou simplesmente gostaram do artista que mata o mau. Ora, quando o pessoal diz à boca cheia que sou um calhau com elevados sintomas de acefalose, incapaz de interpretar conceitos abstratos ou que “era vir um comboio em contra-mão e levar-te”, eu só tenho a dizer que provavelmente têm razão. No entanto, como aqueles que por aqui passam sem ser para ver os artigos que envolvem porno sabem, eu não sou um crítico de cinema. Sou apenas um gajo que aqui se senta ocasionalmente para escrever sobre filmes. Longe de mim almejar tão nobre ocupação. Um plebeu de gama de entrada não pode fazer parte da Schutzstaffel da cinefilia. O que define um crítico de cinema? Que capacidades terá esse guerreiro da luz de possuir para que as suas palavras não sejam meramente um escoar de verborreia indecifrável rumo ao esquecimento?

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Midnight in Paris (2011)

Midnight in Paris

Oh l’amour, toujours l’amour! Paris, a cidade do amor, das luzes, da boémia intelectual, da cultura, das artes e de tudo o que o departamento de marketing da agência para o Turismo parisiense consiga enfiar nos cartazes. Paris, cidade realmente fascinante que conheço bem e que gosto com contido entusiasmo. Paris, cidade onde Woody Allen realizou a sua última extravagancia intelectual  com um índice alucinogénico elevado, mesmo para ele, onde actores já fugiram de dentro dos filmes para a realidade, viajantes do tempo já conheceram as máquinas orgásmicas do futuro e onde até já pudemos ver na primeira pessoa o funcionamento da zona do corpo humano responsável pelo orgasmo  masculino. Do filme já vamos falar de seguida, da cidade só acho que tem um defeito: está cheia de franceses…

Whatever Works (2009)

Anos depois Woody Allen volta à sua cidade, o personagem principal da sua filmografia. Larry David, esse monstro da comédia americana, é o alter ego da personagem que será sempre Woody Allen. Novaiorquino psicótico, neurótico, hipocondríaco, ansioso e com uma visão pessimista em relação à existência em geral. Amores trocados, crises de meia idade, tramas familiares e as confusões bastante teatrais da sua fase inicial, Woody tenta voltar ao velho estilo com este Whatever Works. Mas apesar de estar o cozinheiro e todos os ingredientes, este é um assado que saiu seco por excesso de forno. Continue reading

Vicky Cristina Barcelona (2008)

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A overdose de intelectualidade de alguns filmes de Woody Allen tem vindo a ser mal compreendida pelo públicos menos fiéis de autor. Aquilo que parece ser uma atitude pretensiosa face à nossa ignorância no campo dos compositores austríacos ou dos filósofos alemães é quase sempre uma falácia narrativa que Allen arranja para nos presenciar com uma paulada na cabeça para aquilo que se pode definir como “Banho Frio de Realidade”. Ah, é verdade, e neste filme também há amor lésbico entre Penelope Cruz e Scarlett Johansson.

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Deconstructing Harry (1997)

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Oh não, outro post de Woody Allen? Sim senhor, hoje não há javardice…

Quando se diz que Woody Allen já teve melhores dias, não significa que os seus filmes recentes sejam maus. Significa apenas que não são geniais. Eu nunca me farto de Woody.  Deconstructing Harry é provavelmente o meu preferido da sua fase mais moderna. Apesar de Allen (actor) parecer ligeiramente desenquadrado, temos um magestoso argumento e uma super galeria de actores secundários. Aliás, meus amigos, esta filme marca a estreia de Jennifer Garner no cinema. Pelo menos num papel em que aparece vestida e sem genitália na boca…

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Sleeper (1973)

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Sleeper é uma genial incursão de Woody Allen na ficção científica. Passado no ano 2173 recebeu o ignóbil título português de “O herói do ano 2000”, uma falha de aproximadamente 173 anos que se deve ao facto de nenhuma das pessoas envolvida na tradução do título ter visto o filme. É o filme que Woody Allen fez no ano em que eu nasci e tem as lendárias cenas do Orgasmatron, as Orbs (droga do futuro) e uma luta épica com uma banana e um espargo gigante, isto enquanto o mundo é governado por um nariz…

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Bananas (1971)

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Há uns anos atrás conheci um tipo que só via dois géneros de cinema: porno com gordas e filmes de porrada. Um dia encontrei-o em êxtase total, como se um orgasmo cósmico lhe estivesse a trespassar a espinha. Trazia consigo uma cassete VHS. Olhou-me emocionado e disse “Finalmente completei a minha colecção!“. Era um VHS original de Bananas de Woody Allen. Pensei “O que faz este barrascão com esta cassete?“. Inocentemente perguntei “Completaste a colecção de Woody Allen?”. Ele olhou para mim com aquela cara de camião carregado de tijolo e respondeu “Hum? Não. Sylvester Stallone. Este é o primeiro filme dele!”

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