Avatar (2009)
Sou a pessoa indicada para falar de euforias de tecnologias de primeira geração. Esse fascínio da novidade que me seduz como a décima musa de Lesbos, como aquela luz assassina que atrai os mosquitos para a sua perdição. Eu, que tenho em casa gavetas cheias de palm tops, PDAs, smartphones e outros gadgets idiotas só porque tive dificuldade em esperar que uma tecnologia amadureça. A história ensina-nos lições importantes de assombros cegos de primeira geração que morreram rapidamente, fazendo os seus embaixadores lambe-bolas parecerem ridículos palhaços à chuva, com a maquilhagem a escorrer pela face, com um sapato roto a ver-se o dedão Exemplos como a MiniDisc, HD DVD, videogravadores Beta, laserdisc, o videotelefone, os carros que falam ou aquele pedacinho de cartão que permite que as senhoras se aliviem em urinois.
Esta maligna sedução também não é original. Quantas vezes pensámos estar no pináculo tecnológico, num ponto cinematografico tão importante que a partir daí todo o cinema adoptaria esse standard: a sequência Genesis de Star Trek 2 The Wrath of Khan, Tron, Jurassic Park, Terminator 2 do próprio James Cameron, Final Fantasy e o seu foto-realismo, ou mesmo estes filmes todos de calamidades naturais ou extra-terrestres do hediondo Roland Emmerich. Se olharmos para trás, é quase tudo merda que nem a 1.49 queremos o DVD e se estiver a passar na TV rapidamente mudamos para o canal “Religião Sexy“. À excepção de Star Trek 2, porque é humanamente impossível alguém fartar-se de ver William Shatner.
Quero com tudo isto dizer que sim, o filme é tecnicamente impressionante. Não tanto pelo CGI 3D, mas a mim encantou-me mais o 3D nas cenas de imagem real, porque parecia mais… bem, mais real. Durante 3 horas estamos ali com aquele gente azul a admirar fauna e flora e, convenhamos, as mamas digitais da protagonista. E não digam que não repararam nisso, seus mentirosos, que eu irei individualmente a casa de cada um para vos estrangular. Sim, é muito imersivo, com tanto se diz. Mas o que se esperaria de um filme que está em stand-by há 12 anos à espera da uma tecnologia compatível com a visão do seu amo?
Poderá ser um filme elevado à categoria de clássico instantâneo comedor de prémios só por esta “componente” tecnológica? Mas é óbvio que não! Como toda a gente sabe, não existe mais nada de substancial neste filme de James Cameron além do seu visual inovador. O argumento é o tal Pocahontas que tanto se fala, com os discursos do Brave Heart e todas as manhas narrativas do “Livro das Manhas Narrativas“. Aqueles pequenos truques que nos manipulam emocionalmente, testados no campo até à exaustão, lá estão. E nós, submersos em azul e 3D, comemo-los como cavalos esfomeados num paraíso de alfafa.
Infelizmente é assim que tem que ser para que James Cameron e o seu exército de pitbulls mercantilistas possam reaver o seu dinheiro. É mais fácil levar um cinéfilo exigente a ver um filme de merda, do que um cinéfilo de merda a ver um filme exigente. Alinhando a vitola por baixo e cobrando 2€ a mais por cada bilhete (33%) é óbvio que isto tem que dar lucro. E assusto-me com a ideia da enxurrada de merda cinematográfica que se aproxima, todos os filmes idiotas que estavam na calha à espera de ver os resultados deste Avatar. Agora vêm por aí abaixo como diarreia em dia de camarão estragado. Tudo 3D, desde os filme todos para a garotada como os blockbusters de acção.
E a gaja digital fez tesão a alguém? Ninguém admite, mas toda a gente fala disso. Que maravilhoso mundo novo seria um porno com personagens Na’vi. Hey, se todos os animais têm seis patas, o que nos garante que cada Na’vi não tenha duas vergas? Ou que as gajas tenham vaginas com dentes na horizontal? Cavalos de 6 patas? Ai o mundo imenso que nos espera quando o 3D chegar ao porno. Ora aí está uma boa notícia para todos aqueles que pensavam que a tecnologia na pornografia tinha atingido o seu auge com a Ass-Cam…



11 comments
“É mais fácil levar um cinéfilo exigente a ver um filme de merda, do que um cinéfilo de merda a ver um filme exigente.”
É verdade. E que podemos concluir? _Para além de que o cinéfilo exigente, não é assim tão exigente como o
cinéfilo de merda… Que vem aí um tzunami cinematográfico de merda em 3d , ´tamos feitos…para escapar, só mesmo juntarmo-nos aos na’vi em Pandora.
“É mais fácil levar um cinéfilo exigente a ver um filme de merda, do que um cinéfilo de merda a ver um filme exigente.”
É verdade. E que podemos concluir? _Para além de que o cinéfilo exigente, não é assim tão exigente, mas + aberto, que o cinéfilo de merda… Que vem aí um tzunami cinematográfico de merda em 3d , ´tamos feitos…para escapar, só mesmo juntarmo-nos aos na’vi em Pandora.
Já tive diversas discussões com amigos que afirmam ser o melhor filme do ano, quiçá de sempre. Geralmente essas discussões acabam quando lhes peço para imaginarem o District 9 em 3D como o Avatar…
Fica a informação que já está a ser feito um filme do amor, daquele com líquidos à bruta, recorrendo à tecnologia 3d…curioso estou..
Eu acho que Avatar foi um marco Cinematográfico nos aspectos técnicos e por ter conseguido sair em filme na altura certa, numa altura de mudança, em que o 3d não é definitivo, tudo muda e avança, mas Avatar premanecerá inovador por uns tempos e, certamente, pioneiro.
De resto, Avatar tira a capacidade de contar histórias a um filme…
Abraço
http://nekascw.blogspot.com/
Ao fim de mt tempo a seguir o bom humor do cinema xunga (inclusivé o antigo), que às vezes até me põe a rir sozinho em frente ao PC, venho com este filme tão badalado estrear-me nos comentários.
Fui ver o filme sem grds espectativas (e meio lixado por me estarem a chular ainda mais que o normal), levado pelo facto de ser uma grd revolução em termos tecnológicos e concordo com o que todos disseram – pode ser um marco em termos tecnológicos, mas no todo não é um grande filme.
Aliás, um filme que se fosse visto em casa, só com muito boa vontade poderia ter nota positiva, alguma vez pode ser um grande filme??? Fica a pergunta…
Abraço
Eu sinceramente nem consigo perceber como este filme pode ser chamado de marco do cinema a nivel tecnologico. O que temos aqui afinal? CGI e 3D. É a primeira vez que vemos isto? Nao. CGI já o vemos desde o inicio dos anos 90 e, naturalmente, com o passar do tempo vai-se aperfeiçoando e ainda muito mais terá (e irá certamente) de se perfeiçoar para que atinja finalmente aquela meta em que o CGI se tornará indistinguivel do real (coisa que para o observador mais atento e entendido está ainda a muitas centenas, milhares, de milhas de distancia, inclusive neste Avatar). De resto, temos o 3D. 3D que tambem já existe ha algum tempo e que nao é mais que uma distracçao e uma ferramenta da Sony pra tentar revitalizar o mercado do cinema em casa. Tentativa que a meu ver irá falhar, porque nao estou a imaginar a maioria das pessoas a usarem oculos 3D dentro de casa pra ver filmes nas suas televisoes. Mas quanto a este aspecto, e a quem interessar lol, já deixei a minha opiniao no meu blogs (http://shinetolife.blogspot.com/2010/01/in-your-face.html).
Portanto, em relaçao ao Avatar, temos CGI, 3D e uma historia infantil sem substancia nenhuma e um novo universo sem ponta de carisma habitado por personagens mais desinteressantes que muitas das vistas em videojogos de há 15 anos atrás. Muito sinceramente, nao consigo perceber onde está o marco tecnologico (filmaram com novas e inovadoras cameras 3D? hmmkay, whateva, no cinema só vi 3D como ja antes tinha visto), isto sem tentar ser cinico ou pseudo. Nao percebo mesmo.
Boa review btw, já faltava
Hey, que tens contra o MiniDisc? Continuo a usar o meu e ainda é uma ferramente bem útil
Na lista de tecnologia obsoleta ao fim de uma semana, esqueceste-te da Sega CD.
Não tenho a mínima curiosidade em ver este Avatar, agora o Assvatar….
http://dimensionfantastica.blogspot.com/2010/02/avatar-x-director-anonimo-assvatar-2010.html
Assvatar, sim senhor! Muitas das minhas dúvidas ficaram resolvidas com estas imagens. Gostei especialmente da maneira como censuraram o elemento masculino. À primeira vista pareceu-me que a senhora estaria a desfrutar de um Calippo de limão que o seu colega generosamente lhe segurava sobre o seu baixo ventre.
A verdade inquestionável: “À excepção de Star Trek 2, porque é humanamente impossível alguém fartar-se de ver William Shatner.”
E outra, mais séria “É mais fácil levar um cinéfilo exigente a ver um filme de merda, do que um cinéfilo de merda a ver um filme exigente. ”
Concordo plenamente. Agora que já passou algum tempo (o dvd já vai quase nas 7 milhões de cópias vendidas, jasus), é mais fácil desabafar sobre estas coisas. Avatar é banal. Muito. É visualmetne impressionante, um marco de inovação e tudo isso, sem dúvida. Mas é um filme fraco, preso à sua própria necessiade de ser tão universal, tão acessível a todos, que perde qualquqer ponto de carisma. ficam os azulinhos. e a piada de ter no filme mais avançado de hollywood, uma mensagem anti-tecnológica, de regresso à natureza. Achei piada.
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