Law Abiding Citizen (2009)
Imaginem um Frankenstein moderno a construir uma gaja. Faz-lhe um corpo escultural, maminhas torneadinhas e rabiosque que desafia a gravidade. Sempre a trabalhar com tempo e dedicação. Uma jeitosa de proporções épicas, com coeficiente de “levanta pau” a rondar os 98%. E depois mete-lhe uma cabeça de cavalo à pressa, colada com fita cola para despachar o trabalho. A sensação final seria mais ou menos a mesma deste filme.
Há uns meses atrás vi o trailer deste filme e achei que seria um filmaço se eles conseguissem criar um final que pudesse dar uma conclusão lógica ao filme. Podiam ser extra-terrestres, múmias violadoras ou ovelhas assassinas. Não interessa, desde que fosse bem enquadrado no filme e que o contexto estivesse certinho, tudo bem. Nós, cinéfilos do mundo, acreditámos que Indiana Jones reactivou um OVNI com uma caveira de cristal extraterrestre e acreditámos que o Karate Kid conseguiu dar uma carga de porrada nos ninjas lá do bairro só a limpar carros e a varrer garagens. Alguns de nós até veêm o Lost mesmo depois de ter aparecido um monstro de fumo e das viagens no tempo… Mas não. O final teve que ser a coisa mais frouxa, descabida, mal pensada, idiota, ténue, reles, cheia de plot holes e em completa falta de sincronia com o resto do filme. A tal cabeça de cavalo colada com fita cola.
Depois deste final começamos a fazer a retrospectiva mental do filme e percebemos que fomos enganados. O filme é mesmo mau desde início. Só que não parecia. Estranho, não? Apesar de todas as parecenças com Seven ou alguns toques de Saw, eu estava esperançado que Law Abiding Citizen tivesse a sua própria cabeça numa caixa de cartão. Filme mau. [bater com o jornal no filme] Filme mau…
A premissa era boa. Provar que se pode causar imensa malvadez protegido pelo código penal americano. Provar que um homem que seja inteligente e multifacetado pode ter uma cidade inteira na palma da sua mão sem ter que recorrer a subornos ou a mandar pessoas dormir com os peixinhos. Mas rapidamente a trama “subverter o sistema legal” se dissolve numa trama “mastermind do crime tecnológico” e vai tudo para o caralhinho. A seguir a isso temos o tal final arrebatadoramente horrendo.
De resto temos o actor do momento, que parece ser o novo badass de coração doce de Hollywood: Gerard Butler. O esquema é sempre o mesmo nestes filmes dele. Vida perfeita, não faz mal a ninguém. Esposa doce e dedicada que ama profundamente, filha de 6 anos que é a menina do papá. Depois há a injustiça. E a seguir descobre-se que ele é afinal o mais poderoso guerreiro do planeta, capaz de enfrentar até um exército inteiro de milhares de persas, munido apenas com uma lança e dois frascos de KY. Isto para não falar de Jamie Coxx, cujo personagem tinha tantas funções que não se percebe se é advogado, polícia, detective, presidente da câmara ou apenas mais um tipo de gabardine com um Blueberry.




7 comments
Olá,
que crítica hilariante e precisa! Como todas as deste blogue! Continue assim.
Sigo os seu blogue por RSS e resolvi deixar um comentário para o caso de não contar para as estatísticas do seu blogue. Acredito que possa ser frustrante não saber quem o lê.
Obrigado André. Tirando os clientes do costume, aquela malta que já faz parte da mobília e são praticamente família, pouca gente nova dá por aqui a opinião. Devem ter medo de ser apanhados numa casa de má fama. Vai aparecendo!
Olá! Aproveito a deixa para te dizer que descobri o teu blog há coisa de 3 dias e li-o todo de fio a pavio. E olha que eu trabalho pá, era só à noite e é por isso que hoje parece que estou de ressaca.
Escreves mesmo bem. E já agora, em garoto, era ao Giravídeo que ias alugar as cassetes?
eish, mesmo a calhar, estive a ver este filme ainda neste fim de semana passado
por acaso adormeci no fim e pensei, foda-se, agora estraguei o filme todo, mas afinal não, como tenho o final em branco na minha mente fiquei com uma imagem de filme espectacular…
e como não quero estragar essa imagem, deixo… e fica já assim…
o fim para mim foi a 3/4 do fim real do filme xD
Gostei do toque do Blueberry… Hás-de me dizer onde é que posso comprar um desses
De resto, concordo a 200% com a crítica.
Na prática, o filme “auto-enrabou-se” com aquele final.
São os Blackberry chineses…
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