Olhando para trás apenas podemos dizer da saga “Nightmare on Elm Street” que se tratou de um série directa, honesta e trabalhadora. Não fosse a criação de um personagem icónico, e Elm Street seria mais uma rua onde um slasher movie esventrou meia dúzia de pirralhos mimamos que no auge uma fervilhante tempestade hormonal nem percebiam muito bem o que lhes tinha ceifado a vida. Filme após filme, matança após matança, foi ganhando omnipresença na cultura pop e hoje Freddy Krueger é imortal, a par da cantilena que o imortaliza. E eis que uma Freddy ressuscita como um homem diferente para mais uma série de promissores banhos de sangue. Mais taciturno e pouco dado a oneliners humorísticas, este Freddy esforça-se imenso, mas nunca será um Robert Englund, um tipo que mesmo sem maquilhagem faz borrar as calças a um forcado amador.
Month: October 2010
A primeira ida ao cinema das nossas vidas é sempre polvilhada de magia e fogo de artifício. É um entrar num fabuloso mundo novo de assombro, uma dimensão paralela onde afinal tudo é perfeito. Independente do filme que se vai ver. Seja o Breakdance 2: Electric Boogaloo, o Naked Lunch ou o “Dois paus no cu da Avó”, é um filme que nos acompanhará até ao final dos tempos. Aos 106 anos, no leito da morte, com uma câmara da TVI apontada à nossa moribunda fronha e um clone de Manuel Luis Goucha a fazer perguntas como “Sente-se feliz por ir finalmente morrer?” somos incapazes de reconhecer qualquer uma daqueles idiotas que dizem ser nossos filhos e netos, mas o primeiro filme que vimos no cinema é projectado frame a frame de um hemisfério cerebral para o outro, incluindo trailers, intervalos e aquele pacote de Malteseres que conseguimos contrabandear porque havia ainda o bom senso de se proibir comida nas salas de cinema.
Perdi o rasto a Guy Ritchie depois daquele filme em que a Madonna fica presa numa ilha deserta com um empregado italiano que passou a amar depois de um mau começo. E com “amar” quero na realidade dizer “Malhar chouriço até ficar com as bordas em carne viva”. Era mau demais para ser verdade. Depois de Lock, Stock and Two Smoking Barrels e Snatch, é o poder de uma esposa irritante que lhe derruba a superior capacidade de fazer filmes, qual Sansão do celulóide. Fiquei triste e podia ter chorado se ainda me tivessem sobrado lágrimas depois do Phantom Menace. Um dia destes apanhei Revolver no MOV (HD) e pude comprovar que o velho Guy voltou a entrar nos eixos, com um filmezinho bem decente, apesar de vir atrasado para o salvar da infâmia.
Estava todo electrificado por dentro para escrever de cinema, das maravilhas e das desgraças de um qualquer filme que tenha visto ultimamente, mas o certo é que não tenho visto nada. Quer dizer, tenho dezenas de filmes em lista de espera na minha lista de rascunhos, mas nenhum deles iluminou sinapses no meu cérebro, todos eles me pareceram uma linha directa para aquela bola de assuntos disconexos e desinteressante bastante conhecido na blogosfera como “o post de merda”. Mas não ter nada para falar nunca me impediu de falar impiedosamente até as flores murcharem. Por isso hoje falamos do nada. Continue reading
Um homem montado num burro entra numa aldeia do sul de Espanha. Estamos em finais de Maio de 1765 e é de noite. Sobe ao palco na praça da povoação e começa a discursar. “No futuro as mulheres terão os mesmos direitos que os homens. Num casal haverá partilha das tarefas domésticas. E as mulheres terão mais poder dentro de casa que os seus maridos.” O silêncio abate-se sobre o povo incrédulo. De repente uma pessoa começa a rir-se lá atrás, depois outra, depois um pequeno grupo do lado direito e de repente toda a aldeia rebola num riso contagiante. O homem no palco, irado, abre uma mala brilhante e retira um estranho paralelepípedo que aponta para um lençol branco. Imagens de demónios saem projectadas no tecido e o silêncio volta a abater-se sobre a aldeia. Um cão ladra ao fundo e uma criança chora, desamparada por uma mãe hipnotizada pelas imagem que saem numa luz de dentro de uma caixa do Demónio. O homem no palco sorri orgulhoso enquanto rolam os créditos iniciais de Date Night, uma obra do futuro que haveria de estrear em 2010, caso não houvesse nenhuma anomalia no contínuo espaço-temporal. Passados 15 minutos o homem e o seu burro estavam amarrados a uma trave de castanheiro , em cima de uma pilha de lenha com o objecto projector de demónios enfiado no cu. Dois lenhadores com cheiro a javali fermentado aproximam um archote da pilha e um coro entoa em latim uma ladaínha monocórdica. Antes de perecer para sempre nas chamas purificadores o homem pergunta “Porquê? Isto é ciência, é óptica. Não ofende o Senhor!”. Um sacerdote aproxima-se dele e sussura-lhe ao ouvido”Já tínhamos visto. Em VHS!“
A crise chega a todos e quando as familias deixam de ter dinheiro para ir ao cinema, Hollywood faz promoções, packs, leve 2 pague 1. Quando a Maria quer um filme de gaja e o Tony Macho Dominante um filme de porrada a situação agudiza-se porque é preciso desembolsar 2x(2×5.95), mais taxa de tanso 3D se for o caso. A solução? Criar um filme de gaja com porrada e explosões à fartasana para que possam desfrutar os dois o mesmo filme e ainda lhes sobra dinheiro para comprar umas t-shirts de marca para que possam ser confundidos por pessoas bem sucedidas. Aí Knight and Day vai além da sua premissa, torna-se uma sinergia de horribilidade, pega em dois filmes potencialmente ignóbeis e transforma-os no epitomo de todo o xunga, o ponto onde todos os monstros dos filmes japoneses convivem amigavelmente com cães falantes, a Bridget Jones vai às compras com o Jason Vorhees e os 7 ninjas e o Chuck Norris faz amor apaixonadamente com o fantasma de Patrick Swayze.
Para terem uma ideia do que vou falar neste post, imaginem a cena inicial de “Saving Private Ryan”, mas em vez de nazis a receberem os aliados teríamos piranhas mutantes assassinas sedentas de carne, esfomeadas, capazes de desfazer um ser humano em 23 segundos. Aliás, em vez de soldados aliados imaginem gajas em bikini. Bikini não, de maminhas ao léu e algumas com as reluzentes vaginas a receber directamente luz do sol. Metam umas pitadinhas de sexo, teenagers no cio, Elizabeth Shue (a MILF de serviço) rija como o aço… Mas a melhor razão para amar este filme é porque o James Cameron desaprovou. O dele (Piranha 2 de 1981) foi bem pior. Tem medo que dê mau nome ao 3D. Meus senhores, se o 3D tiver alguma utilidade, que duvido, é para ver gajas em pelota. Oscar, já!
Chovem literalmente homens. Predators não vai ser pera doce e que o diga a ausência de créditos iniciais, que não pagamos para ler nomes. Uma placa diz “Predators” por meia dúzia de milisegundos e depois toca a marchar que a bicharada não dá descanso a ninguém. A confusão de corpos celestes a pairar sobre a atmosfera não engana. Daqui ninguém escapa. Não fosse a ausência de carnificina e um trio de predadores gay, estariamos perante um dos melhores filmes do ano.
Nós, cinéfilos com experiência, já percebemos por várias ocasiões que ver um filme que gostamos nem sempre é sinónimo de entretenimento e tempo bem passado. Há filmes que se tornam inesquecíveis, que crescem dentro de nós pelo seu hiperealismo ou desconforto de determinada temática. “Idiotern” de LarsVon Trier ou “Martyrs” de Pascal Laugier são exemplos disso mesmo que falei por aqui recentemente. Mas abordar miséria humana, terrorismo, toxicodependência, abusos infantis, pedofilia, necrofilia e crueldade num tom de esperança e optimismo, só mesmo Terry Gilliam.
É de estranhar que um duvidoso franchise de zombies receba o 4º filme sem que se adivinhe um abrandamento. Mas os números não mentem e os três primeiros Resident Evil são os filmes de zombies mais lucrativos do cinema. Ditam os números que se repita a dose enquanto houver lucro. Este quarto tomo deve ser analisado em três frentes: a sua qualidade enquanto filme de zombies, na sua qualidade de franchise inspirado num video game e em que é que o 3D vem contribuir para a nossa felicidade. É certo que tem gajas num arraial de bofetada que parece não ter fim e a Milla está no seu pico do sex appeal, mas Resident Evil continua tão infantil, simplório e desinteressante como no primeiro dia.
Nos comentários de um post anterior fui confrontado com uma questão que, parecendo à primeira vista uma parvoíce pegada, tem o seu quê de profundo: “Então se afinal a Angelina Jolie é uma anorética de rabo liso com insuficiente volume hemofílico para manter a consciência depois de um orgasmo, seja ele vaginal, anal, clitoriamente induzido ou à bofetada.”, qual seria a minha sugestão para encabeçar uma nova geração de heroínas de filmes de acção? Depois de passar 3 dias na biblioteca municipal a consultar manuais de genética equidea e a grande enciclopédia das disfunções intestinais em bovinos de porte moderado , decidi debruçar-me sobre esta questão, que apesar de inútil não deixa de ser pertinente. Como de costume um top incompleto e sem numeração. Apenas 5 matulonas capaz de vos arrancar os tomates antes de acabarem de dizer “Acho que essa calças te fazem o rabo parecer maior!“
Michelle Rodriguez
O fogo latino jorra de si com tal imponência que a vontade de a ver esquartejar gente corre de lado a lado com a vontade de lhe ver as mamas. É a candidata natural que aparece sempre em primeiro lugar quanto tentamos pensar num action hero do sexo feminino. Ao contrário de outras mais lavadinhas e bem falantes, Michelle tem perfil para guerrilha, mato, actos selvagens na densidade das selvas equatoriais. Não se deixem enganar pelos lábios carnudos e pelo rabo desafiador de gravidade, pois esta garota rapidamente invertia os papéis e quando dessem por ela estavam amarrados a um radiador, com uma bola na boca e a serem comidos por trás com um strapon.
Hoje falamos de cinema francês. Não daqueles antigos filmes francófonos, das gajas de mamas pequenas em tronco nu, no Louvre de cigarro na mão, a recitar Baudelaire e a fazer mamadas. Hoje falamos num daqueles filmes franceses que são um misto de comédia de situação com drama existencial, que vive de uma aparente promiscuidade e no final parece acabar em lição de moral, mas uma cena extra transforma a mensagem na mais aterradora badalhoquice. Estão a perceber? Claro que não. Afinal quem é que lê críticas de filmes franceses?
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