sci-fi80s

Séries de ficção científica dos anos 80, essa praga. Ainda hoje pago psicoterapia pelos danos que me causaram. Galáctica, Buck Rogers no Século XXV, Space 1999, Captain Powers and The Soldiers of The Future e V. Uma autópsia detalhada ao estilo “análise de danos psicológicos”. Uma viagem ao mais negro que a mente humana tem para oferecer: xunga do velho!  (música em background que acompanha este texto)

Battlestar Galactica

galaticaGalactica foi uma série referência em Portugal no início dos anos 80. Talvez fosse boa, talvez a RTP não desse mais nada. O certo é que os putos da minha idade não faziam mais nada do que ver, brincar e imitar a Galactica. Faziam-se concursos de desenho para ver que era o melhor designer de naves e brincava-se no recreio da escola primária em que as competições pelo papel de Apolo ou Starbuck geravam sempre arraiais de pancadaria que superariam uma eventual ida do Presidente da República a Canas de Senhorim.

Sempre tive o fascínio de um dia voltar a rever essa pérola da minha memória. Um dia, nos inícios do emule, saquei um episódio TVRIP da Galactiva. Esperei umas duas semanas por ele. Quando finalmente chegou quase que não me conseguia conter. Carreguei no play e o meu sorriso depressa se desvaneceu num esgar arreliado de “What the fuck?”…

Galactica é uma série que envelheceu mal. Fede a anos 80 como uma doninha fedorenta numa perfumaria. Tem todos os irritantes ingredientes de uma parvoíce no espaço. Basicamente é o Dallas, mas passado a bordo de umas naves espaciais em forma de colher de esparguete. Tinham um coisa boa, um império intergaláctico constituido por robots maléficos, o sonho de qualquer criança…

Neste ponto da minha vida retornei ao eterno dilema: deve-se renovar a memória ou deixá-la ser gloriosa? Quando passou na Sic Radical ainda lhe apanhei 2 ou 3 episódios, mas não resisti ao sono em nenhum deles. Do remake de 4 épocas que acabou recentemente apenas vi a mini-série, a chamada “época zero para ver se pega”.

Buck Rogers in the XXV Century

buckroger2sEsta série foi rebaptizada “Buck Rogers in the 25th Century” nos States, porque eles são tão fluentes em numeração romana como nós naqueles elementos da tabela periódica que aparecem num rectângulo à parte. Sabem, aqueles sintetizados artificialmente, tipo Einsteinio e o Mendelévio.

Buck Rogers é um astronauta que se perde no espaço e, quando acorda, está a ser puxado para a Terra no século 25. Como estas coisas das paranóias terroristas hão-de durar eternamente, toda a gente desconfia da versão dele e pensam que é um espião, nome dado aos terroristas nos anos 70 e 80.

Buck Rogers acaba por se tornar um membro da sociedade do século 25, sempre acompanhado de um robot anão chamado Twiki, cujas únicas palavras que sabia proferir eram “Mini-mini-mini-mini”. E claro, o ingrediente principal, gajas. Ora, desconfio que tenha sido este o conceito à volta da criação da série: “Como é que podemos meter 78 gajas vestidas de licra numa série de TV? Adaptamos o Buck Rogers!“. Vai daí, o pobre astronauta não tinha mãos a medir com tanto gaijedo. Absorvido por aventuras trepidantes, Buck Rogers estava sempre a ser distraído da sua verdadeira missão no séc. XXV: foder! Era uma proeza para o sociedade púdica americana, mas como era no futuro, desculpava-se.

Falta ainda dizer que a Terra do século 25, além das gajas de licra, era também um planeta afectado por… adivinharam. Radiação de uma terceira guerra mundial. A acrescentar a magnífica música instrumental dos créditos iniciais, com uma narração heróica e tambores no início. Ah, e a bizarra semelhança física entre Buck Rogers e George W. Bush? Weird!…

Space 1999

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Esta série é mais difícil de catalogar. Em primeiro lugar porque é britânica e eles gostam de meter algo mais que explosões gigantescas nos seus filmes de sci-fi. O Space 1999 ainda é bom. É bom porque é funky, e o funky, como toda a gente sabe, nunca sai de moda.

O elenco é todo horroroso, as gajas são do pior, os fatos então nem se fala. Dá para esconder a falta de depilação, que toda a gente sabe ser uma coisa impossível de fazer no espaço. Pelo menos nos anos 70. Os efeitos especiais não são muito bons e são reciclados amiúde. O cenário é um pavilhão polidesportivo cheio de caixas de frigoríficos pintados de cor de alumínio e cravados de luzas que acendem e apagam aleatoriamente. Então, além da questão “funky”, o que faz desta série especial? Bem, na minha humilde opinião é o facto de tratar da pontos mais filosóficos e existências, misturados com elementos de acção e mistério que captam a atenção de putos e graúdos.

Teve duas séries (que orgulhosamente possuo – ORIGINAIS). A primeira é o impacto psicológico de ser afastado para longe do planeta Terra, o desconhecido, o existencialismo, quem somos e para onde vamos. A segunda série é mais virada para o excêntrico, aventura com outros povos, a inclusão da metamórfica Maya e bastante roupa hyppie. Resta ainda dizer que esta segunda série, a par com Alice no País da Maravilhas, foi integralmente escrita sob a influência de LSD e outros alucinogénicos que nem a PJ ainda ouviu falar.

Captain Power and the Soldiers of the Future

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Da página oficial: In the 22nd century, war was waged with mechanized warriors. (…) The machines united and turned their fury on their creators. It is the year 2148 – the METAL WARS have ended – machines battled man, and the machines won. Out of the ashes of defeat came JONATHAN POWER, humanity’s last hope of defeating the BIO-DREAD warriors led by the evil LORD DREAD. Captain Jonathan Power and a devoted band of freedom fighters are all that stands between Dread and the final destruction of mankind.

Ora bem, olhando assim de repente para a descrição de cima, dá vontade de nunca voltar a este site. Eu faria isso, mas infelizmente é gerido por mim e parecia mal. Captain Power era uma foleirada patriótica ao estilo de Indepence Day em episódios num mix com Power Rangers. Então porque é que os putos adoravam? Porque tinha porrada, guerra, explosões, armas e robots metálicos com aspecto maléfico que voavam e fazia coisas bem terríveis. Eram animados a computador, coisa que para a altura era tão inovador como o Walkman da Sony.

Inspirada na mitologia do mais piroso Heavy-Metal dos anos 80, que vai desde os gay Manowar aos Anthrax. É, de facto, uma série intragável. Terrível até ao mais ínfimo pormenor. Admito que gostava dela quando tinha uns…. Sei lá, 12 anos? Talvez… Mas no outro dia saquei um episódio da Net (para fins puramente académicos) e mal passei dos créditos iniciais.

V – The Final Battle

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Esta foi uma mini-série que deu em Portugal por volta de 1984/5 e que criou um sucesso instantâneo. No entanto toda a gente ficou terrivelmente chateada porque havia rumores que a TVE (Espanha) estava a passar a segunda série, e quem não morava perto da fronteira ficou a apanhar bonés. Juntamente com o “buzinão” da ponte 25 de abril, foi a maior crise que houve em Portugal, excluindo coisas relacionadas com futebol.

Era passado no tempo presente e a Terra foi invadida por tipos que pareciam humanos mas na realidade eram lagartos. Tinham uma boa campanha de relações públicas, mas um pequeno grupo, La Resistence, sabia que eles apenas nos queriam para escravos e alimentação. O costume, portanto! Teve um primeiro episódio bombástico e depois foi decaindo. É uma versão “ligeiramente modificada” da Guerra dos Mundos, mas passada na América dos anos 80, quando todas as gajas boas eram louras, tinham permanente e umas mamas como a Samantha Fox.

Na altura não era má, mas vista hoje em dia é mais “lixo dos anos 80″. Os lagartoides tinham bom aspecto e tinham uma voz bem porreira quando não tinham disfarce. Robert Englund era um dos actores que por lá andava.

NOTA BASTANTE IMPORTANTE: Este artigo foi originalmente escrito no blog Cinemaxunga por alturas do Verão de 2005.  Modifiquei ligeiramente algumas referências para não se notar que é velho…

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