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9 Songs (2004)

9songs

Na edição de 2004 do festival de cinema de Cannes uma pedra atingiu o charco. A violência foi tal que acabou por criar um vortex sufucientemente forte para arrastar consigo toda a atenção mediática. Todos tinham opinião formada de gabarito doutoral. Michael Winterbottom, famoso realizador de filmes como 24 Hour Party People, Welcome to Sarajevo ou Jude, oriundo do púdico Reino Unido, lança um filme que com sexo explícito… E quando falo de sexo explícito, não é uma piroca a roçar ao de leve uma farfalhuda ratinha ou um broche ocultado pelas sombras, é foda dura e crua com direito a grandes planos, masturbação feminina e o famoso “money shot”.

Michael Winterbottom (Winter… Bottom… hehe!) tinha como intenção agitar as águas lamacenta, fétidas e estagnadas do panorama cinematográfico mainstream. Pegou num casal e numa ideia. Foder desenfreadamente em cenas aparentemente aleatórias e no intervalo concertos ao vivo no Brixton Academy. A estrutura do filme é mesmo essa. Uma relação (já iniciada), os seus momentos de intimidade, aquelas situações conjugais que não se partilham, entremeado com 9 músicas filmadas ao vivo. O personagem masculino ainda tem tempo para deambular entre pensamentos acerca da Antártica, local pelo qual nutre especial fetiche.

É porno ou arte? Bem, eu não acho que seja porno. Pela minha grande experiência no género, o porno é feito com intuitos eróticos e neste caso o sexo serve para transmitir a ideia de intimidade e realismo numa relação a 2. Os púdicos ficaram chocados, mas ninguém vai a este filme pelo sexo. Há 253.432 filmes nos clubes de vídeo com mais sexo. E a internet!

A banda sonora é muito boa com performances ao vivo de Black Rebel Motorcycle Club, Elbow, Primal Scream, The Dandy Warhols, Super Furry Animals, Franz Ferdinand, Michael Nyman e novamente Black Rebel Motorcycle Club. Por esta ordem. Depois existe a banda sonora (som sobreposto ao filme) com Goldfrapp, Salif Keita, Melissa Parmente, entre outros.

Mas não é um grande filme. Longe disso. É fraco em argumento (inexistente), fraco em performances, fraco tecnicamente. Filmado em miniDV de qualidade duvidosa e aspecto demasiado “video” sem correcção de cor. Era o mínimo, WinterBottom!… Existe um aparente nonsense narrativo, dando a ideia que o que interessa é transmitir uma cena comum de um espaço de tempo em que um casal mantém uma relação.

Resta ainda dizer que a actriz principal não quis ser associada ao filme e pediu para ser creditada com o nome da personagem. Tal não aconteceu. A sua mãe, católica devota ouviu a história e pediu satisfações. A filha disse que era tudo simulado e com uso de duplos. A senhora viu o filme e explodiu em fúria religiosa, ameaçando com exorcismos. “É para isto que te criei, minha vaca“, terá dito da filha numa conferência de imprensa. Deserdou a rapariga e passou a rezar extra por dia para salvar a sua alma do inferno… História verdadeira, palavra de escuteiro-mirim.

Filme foleiro. Não é por causa do sexo, é porque o filme não é muito bom mesmo. Se ficam chocados com pouco, esperem pela versão censurada para maiores de 13 anos, que terá a duração de 18 minutos e terá basicamente os concertos ao vivo e um ou outro plano da Antártida.

1 Comment

  1. Mas olha que quando vi o filme as partes mais maçadoras foram as actuações ao vivo. Foda-se que nunca mais acabavam… para termos “acção” no filme.

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