O tão aguardado remake ou, como se diz agora, a Legacy Sequel de I Know What You Did Last Summer chegou ameaçadoramente às salas e ao streaming, mas a sua existência traz consigo um mistério maior do que o do próprio assassino. É difícil compreender como é que este projeto apareceu envolvido num hype e numa expectativa tão grandes, especialmente quando o material de base nunca foi propriamente brilhante. A única explicação lógica para este fenómeno é a boleia que o género apanhou com o regresso de Scream. Mesmo sem o toque de Wes Craven, esses filmes voltaram a fazer dinheiro e a apelar a uma malta nova que anda à procura de sensações fortes no cinema de terror, mas que, infelizmente, não viu nada do que ficou para trás. Os donos dos direitos perceberam que o ferro estava quente e decidiram atacar com esta nova versão, que já circulou por todo o lado e neste momento já vai a meio caminho dos eternos pântanos do esquecimento.

Nunca fui fã do filme original de 1997, que sempre me pareceu um mero sucedâneo de Scream, feito à pressa para aproveitar a moda. A premissa que todos conhecemos está lá: um grupo de adolescentes giros, todos muito bem vestidos e no auge da sua “tesura”, atropelam acidentalmente um senhor e fazem um pacto de silêncio para não lixarem o futuro. O problema é que, nesta versão de 2025, o acidente poderia ter sido facilmente justificado perante a lei, mas a narrativa força-os a esconder tudo só para o esquema do bilhete “Eu sei o que fizeste no verão passado” poder funcionar. O que mais irrita nestas sequelas de legado é a total falta de memória das personagens. Tal como acontece em Jurassic Park ou Ghostbusters, parece que ninguém se lembra de eventos catastróficos que aconteceram há 30 ou 40 anos, apesar de já existirem câmaras, documentação e pessoas vivas para contar a história. Aqui, essa amnésia coletiva é o motor da trama, mas soa apenas a uma reciclagem preguiçosa de um argumento que já nunca foi forte.

O elenco deste novo capítulo é outro ponto onde o filme falha. Se o original tinha atores que, com o tempo, se tornaram icónicos, aqui temos cinco miúdos que parecem ter sido escolhidos apenas por serem parecidos com alguém famoso. São personagens sem grande capacidade de resolução, um bocado “atados”. Não sei se é um mal desta nova geração, mas a verdade é que as interações entre eles são artificiais e não convencem ninguém. Para piorar, o filme é extremamente púdico: não há nudez e a matança é genérica e sem impacto. Parece que houve um cuidado excessivo para não chocar as criancinhas de 12 anos que hoje em dia veem estes filmes antes dos pais. No final, se és um jovem que começou a ver terror há um ano ou dois, talvez isto te impressione. Mas se já tens pelos púbicos e viste o que de bom se fez no género, vais perceber que isto é apenas uma cópia de uma cópia sem alma. Continuo a preferir o Ghostbusters 2 e não entendo o desdém por esse filme; ao menos tinha personalidade, ao contrário deste verão passado que devia ter ficado enterrado debaixo de dois metros de betão armado.


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