Continuando sob a égide do requeijão de baixo orçamento, hoje trago-vos uma daquelas pérolas que só o videoclube e o passar dos anos conseguem elevar ao estatuto de divindade. Falo de Action U.S.A., um filme de 1989 que é o exemplo perfeito de como a falta de dinheiro, quando misturada com uma total ausência de noção e um talento absurdo para a adrenalina, resulta em ouro puro.

A história foca-se no enredo clássico que serve apenas para ligar as explosões entre si, onde um casal vê o seu amor interrompido à força de balázio logo nos primeiros minutos quando o rapaz é assassinado por um gangue, por ser o único que sabia onde estavam os diamantes. A partir daí o FBI entra em cena para proteger a rapariga, a única testemunha do crime, e o filme transforma-se numa sequência interminável de insanidade visual.

No que toca à comédia involuntária e ao carisma inesperado, temos de ser honestos: os diálogos são péssimos, o argumento foi escrito em cima do joelho numa noite de bebedeira e os atores não vieram propriamente a da academia real de artes. É tudo tão forçado que o filme se converte automaticamente numa comédia, mas com a surpresa de Barri Murphy. Inicialmente contratada para ser a loira de serviço com as obrigatórias cenas de nudez para atrair o público masculino da época, ela acaba por revelar um carisma e um timing para as one-liners que rouba o ecrã, tornando-se a alma espiritual do filme.

Sobre os stunts e o local onde o dinheiro realmente não está, Action U.S.A. destaca-se pela sua execução técnica. Com apenas 180 mil euros, uma fração mínima comparada aos blockbusters de ação da altura, o realizador John Stewart fez milagres. Toda a gente arde no ecrã porque se há uma superfície disponível, alguém vai pegar fogo nela. Os carros voadores saltam por cima de autocaravanas e atravessam casas em chamas, enquanto os saltos de helicóptero são feitos à antiga, com duplos a arriscar a pele em cada frame. Parece quase um dos espetáculos de duplos que vemos nos parques da Disney ou da Warner, mas esticado por hora e meia de filme.

Como veredicto final, este é um filme que mesmo de ser visto. Foi filmado em apenas 15 dias, falhou redondamente nos cinemas, mas encontrou a sua casa nas prateleiras dos videoclubes e agora no coração dos fãs de cinema xunga. É um autêntico currículo audiovisual de John Stewart. Se eu trabalhasse na indústria e precisasse de alguém para pôr o senhor a arder ou desafiar a gravidade com um carro, contratava este homem sem hesitar. Vão ver. É mau? É. Mas do melhor tipo de mau


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