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Humanoids from the Deep (1980)

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Quando as festas começam a morrer, a música desaparece, o chão se torna perigosamente escorregadio e o dia começa a nascer, dou comigo a defender de modo violento a minha teoria de que os filmes de terror dos anos 80 e inícios dos anos 90 que tivessem nudez ou uma cena de sexo compostinha no primeira acto, eram uma merda em termos de valores de produção e de satisfação reduzida para o fã inveterado de uma boa matança. E nestas alturas levanta-se sempre um bêbedo do fundo da sala e pergunta “Então e o Humanoids from the Deep ?”. Então paro para repensar e reflectir na minha vida, nas minhas escolhas e a questionar todas as decisões, resoluções e juízos que fiz até então. “Será a minha vida uma ilusão? Um engano? Quem sou eu?”. E depois respondo “Ah, Ya!” num ataque fulminante de adolescência compulsiva, mas sem a habitual ereção.

De facto esse bêbedo anónimo que usa as últimas forças para defender Humanoids From The Deep nos finais das festas tem razão. Este marco do cinema Campy é um dos filmes mais subvalorizados do género terror, um injustiça tão mastodóntica que não existe sequer uma edição em Bluray. Para terem aqui um ponto de comparação, Santa Claus Conquers The Martians tem uma edição Bluray, ainda por cima remasterizada, o que significa que teve de haver intervenção humana e energia/mão de obra empregue nesse processo.

Humanoids From The Deep chama-se “Monster” no filme com umas microscópicas letras por baixo que presumo ser o subtítulo supracitado pelo qual é mais conhecido. Nasceu como um remake/homage/spinoff de Monster From The Black Lagoon, esse obscuro fenómeno já analisado por este vosso humilde escriba aqui. Ora, a ideia inicial seria um monstro vindo do fundo dos mares para aterrorizar incautos adolescentes que, cegos por tesão, se encontravam a copular nas praias incapazes de perceber a chegada de um monstro que rapidamente lhes levaria metade do torso para as profundezas. O problema é que o produtor deste filme é o mestre Roger Corman que logo após a primeira versão do filme decidiu que o produto que tinha em frente não servia sequer para limpar o rabo. A primeira alteração foi o mítico nome pelo qual ficou conhecido. A mais importante marca da sua produção foi a ideia de refilmar todas as mortes de maneira a introduzir (muito) mais gore, sangue e tripas, e fazer com que em todos os ataques o monstro arrancasse a roupa à meninas atacadas, as deixasse correr nuas de mamas a bambolear e a gritar em overacting e no fim lhe enfiar o pirilau monstrengo pelos virginais entrefolhos adentro. Uma jogada de mestre, uma vez que agora já ninguém iria ficar indiferente a esta premissa. Para o bem ou para o mal.

Ora isto teve um efeito de choque frontal com a protagonista Ann Turkel que na altura da contratação teria sido assegurada de que se tratava de um filme de qualidade científica, sério e com possibilidades de concorrer a prémios e cerimónias sonantes. Quando chegou o dia da estreia escorria-lhe maquilhagem pelas faces ao ver a sua carreira em vórtice descendente a caminho da fossa céptica do esquecimento Hollywoodiano.

Num filme fortemente marcado pela nudez e o excesso de violência, há alguns pontos de excelência que acabam por desvanecer no meio da algazarra do puritanismo popularucho. O uso do mecanismo narrativo de criaturas com mutações provocadas por engenharia genética que correu mal, por exemplo. Uma lufada de ar fresco num género povoado por criaturas e monstrengos criados por radiação.

Ainda a semana passada o vi e garanto que o efeito se mantém. O final muito V (Batalha Final) é a cereja no topo do bolo. É certo que envelheceu um pouco, mas isso nem sempre é mau. Neste caso invoca toda aquela liberdade sexual e da juventude despreocupada dos finais dos anos 70, dos tempos em que a não era o medo da SIDA a bloquear uma bela noite de berlaitada ou os telemóveis com facebook a arrefecer todas as festas do mundo.

Deixo-vos um pouco de multimédia que deve dar um resumo fiel do filme para aqueles que se sentindo ligeiramente curiosos não estão preparados para sacrificar 81 minutos da sua preciosa vida a ver clássicos Campy.

NOTA: Depois de escrever isto descobri que afinal existe uma edição em Bluray deste filme, mas com isso me ia completamente destruir o argumento da injustiça e que este filme é um coitadinho que merece mais atenção do que aquela que realmente tem, vou optar por ignorar essa informação. E vocês também. Quando eu estalar os dedos voltarão a ser humanos normais, com calças e tudo.

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1 Comment

  1. só pelas mamas da gaja, já valeu a pena ler o comentario. Contudo deixa-me dizer-te que ela deve ter aproveitado a nudez do filme para se fazer notar. olha que eu não a vejo nada infeliz, muito pelo contrario. Depois de analisar a foto e o sorriso dela e o olhar cintilante mas um pouco apagado pelo repetir das cenas, não acho que ela tera ficado desgostosa em nada.

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