CinemaXunga

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Category: Cinema (page 2 of 25)

The Legend of Tarzan (2016) – Ciclo “Mete-se Agosto”

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E aqueles filmes que só queremos ver porque a actriz teu um rico par de mamas? Esse impulso hormonal não é exclusivo do sexo masculino, uma vez que as mulheres também têm esses guilty pleasures. A diferença, como em tudo, é que as mulheres os fazem de modo subtil enquanto os homens se sentam no cinema com as calças nos tornozelos e mãos a friccionar a gaita. Um efeito deste impulso feminino foi eu ter sido arrastado pela minha esposa para ver o Tarzan porque o gajo é, e passo a citar, “muita bom”.

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Universos cinemáticos, o cemitério do Fanboyismo

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Há uns anos escrevi um artigo acerca das razões que me levaram a abandonar a televisão convencional. Não apenas séries, mas toda a programação televisiva que está a passar em tempo real. Resumidamente, as razões que me fizeram abandonar séries de TV é a maneira como são geridas. Se são boas mas têm pouco sucesso comercial, são canceladas ficando o telespectador entalado com as questões que lhe tiram o sono. Se são boas e têm muito sucesso comercial são esticadas em décadas de temporadas, sendo que aquilo que as fazia inicialmente boas é diluído ou transformada numa versão de si própria, mas com sabor a sola de chinelo. E o mesmo está a acontecer com o cinema comercial, o esquema do blockbuster moderno irá colocar em vias de extinção o fanboyismo militante.

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A magia de James Cameron em Escape From New York

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Antes de ser o mais lucrativo realizador da História de sétima arte, James Cameron foi um profícuo artista de pinturas matte. Um dos seus trabalhos mais notáveis foi em Escape From New York , do nosso avôzinho do cinema John Carpenter, em que criou um convincente cityscape de Nova Iorque do pós-apocalipse. Além de fazer a pintura que vemos nesta cena, Cameron também foi o director de fotografia para efeitos especiais. De notar que esta sobreposição foi filmada directamente na câmara e não colocada em pós produção. Ora vejam lá:

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Sicario (2015) e as mamas de silicone.

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Há uns meses, quando vi o Sicario, encontrei um vídeo da empresa que lhe fez os efeitos especiais com decomposição das camadas de componentes feitos a computador. Pensei “Chiça, que um gajo já não pode acreditar em nada”. Mostrava centenas de elementos que foram colocados em pós-produção que à primeira vista ninguém acreditaria que pudessem não estar realmente lá à altura das filmagens. Quer dizer, obviamente que fica mais barato sobrepor um esquadrão de helicópteros de combate do que construir réplicas ou alugar verdadeiros. Só que um gajo deixa-se levar pelo embalo do filme e não pensa nisso.

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Hail, Caesar! (2016)

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Tenho um amigo de infância que bifurcou ali no início da vida adulta para uma religião que fez dele um gajo um bocado demente. Continuou o mesmo, mas as doutrinas religiosas carregaram-no de culpa e de falta de auto-estima. O gajo bebia uns copos, fumava um fininho ou via uma jeitosa de bela padiola que lhe causava tesão e ficava todo complexado. Tinha falhado em relação aos seus votos. Um homem de religião que abominava a ciência, que seria o nosso fim. Coisas que dizia mas que não devia acreditar. Ora, um dia arranjou uma namorada. Eram um casal normal. Fodiam contra as regras da igreja e ele foi-se habituando ao peso do pecado. Apanhei-o na praia com ela. A gaja não era má, mas saiam-lhe pintelhos pelo lado das cuecas do bikini. Falei-lhe nisso e ele respondeu-me que ela tinha uma anatomia vaginal muito complexa, que não havia maneira de lhe aprumar o arame farpado sem lhe arrancar uma febra conal. Calei-me, porque um homem não comenta abertamente a febra conal da namorada do amigo. Largos meses depois voltei a cruzar-me com ele e pareceu-me diferente. No decorrer de um daqueles quentes momentos de meter a conversa em dia revelou-se a favor da ciência e da tecnologia, que havia coisas que o andavam a cegar. Que tinha decidido ser menos radical. A namorada teria ido a uma daquelas depiladores laser que lhe rapou a cona toda, estilo menina de 8 anos, e o gajo até chorou nessa noite. Um milagre da ciência que o fez ver a luz, neste caso uma luz pulsada muito concentrada sob a forma de laser inteligente que arranca pintelhos.

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400 Days (2015)

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Há filmes que são o equivalente a papel higiénico reles que se faz passar por produto de qualidade, seja pela embalagem ou pela publicidade enganosa. Aquele papel higiénico que cria confiança excessiva no utilizador que no acto de limpar o rabo, confiante na qualidade da fibra celulósica, aplica um pouco mais de força para reforçar a limpeza, furando as falsetas folhas e enfiando um dedinho na merda. 400 Days é isso, mas em filme.

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Paixões de Infância: Bad Taste (1987)

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Depois de ouvir “Serei eu o único a achar que…” espero sempre por revelações realmente únicas, façam justiça à unicidade da expressão. Algo do género “…que gosta de borrar ambos os pés descalços em bosta de vaca, calçar de seguida uns sapatos de vela sem meias e ir à missa com uma galinha a tiracolo recitando palavra sim palavra não da versão não censurada do “Matracas da Minha Avó” de Celso Abrantes de Alforge?” ou “…que aprecia o Leitão Assado do Continente?”. Opá, coisas verdadeiramente únicas que realmente mais ninguém ache. O problema é que no mundo real as pessoas dizem “Sou eu o único a achar mal a fome em África?” Também há fome na Europa, senão a restauração seria uma área  de negócio vetada ao insucesso. Eu próprio proferi assim impropérios e um que me lembro de repente foi ali no inicio a meio dos anos 90 em que poluía o ar em redor dos meus pares com “Serei eu o único a adorar Bad Taste e este novo realizador Peter Jackson que é o gajo que faz filmes que apelam mais aos meus gostos pessoais e àquilo que espero num filme para me entreter?”. Ninguém sabia do que estava a falar. Fiz uma página na internet com uma conta num servidor da faculdade. Arranjei 4 amigos virtuais no cyberspaço que corroboravam a minha visão da cinefilia e um deles nem falava português. Muito menos ler a minha excelsa página HTML com um gif animado amarelo que dizia “new” e um senhor das obras de estrada ao fundo com a indicação “Em permanente construção”. Depois apareceram os foruns, os blogs e as redes sociais e encontrei os meus irmãos perdidos, aqueles que parece que pensam exactamente como eu em assuntos de cinema, se bem que ocasionalmente os apanho a dizer que os refugiados é tudo terroristas a cheirar a chamuça, a partilhar frases da Chiado Editora e opinar artigos de jornal sem os ler.

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Lei da Gravidade (2014)

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Não sou apologista das reviews a curtas metragens porque é um exercício redundante a vários níveis; não é a minha especialidade, a curta é um submundo próprio que a plebe (onde me insiro) pode apreciar mas a cultura é profunda e muito bem caracterizada Ora, desta vez irei abrir uma honrosa excepção para uma película que vi no festival Caminhos do Cinema Português aquando da sua passagem por Coimbra. Uma curta entitulada de A Lei da Gravidade que deambula pelo forte filosofar que tantas vezes nos massaja as têmporas com as eternas dúvidas acerca do cinema português, da sua qualidade, do seu passado e futuro.

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The Force Awakens: J.J. Abrams, o anti-Lucas

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Andava Chewbacca numa mercearia e escolher fruta para uma festa de Natal que iria organizar em casa quando a seu lado se assomou uma criança. Sorrindo para a gentil besta peluda, a criança abriu a boca e deixou sair um sonoro e esganiçado “grawwrrwwaurr”. Chewbacca rolou os olhos e perguntou. “Gostaste do filme puto?”. O miúdo meio atordoado de ver Chewbacca a articular palavras humanas responde “Humm… Filme?”. “Sim, o filme!”, diz Chewbacca a ficar irritado com a perda de tempo. “Não sabia que também havia um filme. Só tenho tua máscara, os Legos, os bonecos, as t-shirts, as meias, as cuecas, um tapete, mobiliário, a decoração do quarto, o relógio, papel higiénico, papel de alumínio, frangos assados do “Reino da Frangália” com embalagem em carbonite, aqueles novos sacos para apanhar a merda de cão, o shampôo que uso quando acaba o bom, serviços de louça, faqueiros, uma fiambreira que faz os sons de Tie Fighters para a frente e dos X-Wing para trás, o casaco do meu cão, a capa do telemóvel da minha mãe, as chinelas de quarto do meu pai, uns balões muito fininhos de marca control que minha mãe tira do fundo da gaveta para quando o Sr. Anacleto da farmácia lá vai a casa entregar o Ben-U-Ron, as novas embalagens de Ben-U-Ron e um conjunto de agricultura macrobiótica para ambientes árticos que o meu pai comprou porque estava com 40% de desconto”.

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Léxico Xunga #01 – “Fatiar Fiambre”

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Ficar a fatiar fiambre – Expressão para quando o cinéfilo vem para o Facebook perguntar “Hey amigos, acham que deva ver este filme?” e entretanto gera-se uma conversa cuja duração excede a do próprio filme. No final o sujeito acaba por não ver o filme, por não ver enriquecida a sua experiência cinematográfica e fica com uma sensação de vazio equivalente à expressão “O que ando eu a fazer com a minha vida?”. Por vezes começa a pensar numa relação afectiva anterior que terminou não resolvida, bebe vodka e adormece a chorar em posição fetal no sofá  enquanto contempla o restos de pizza bolorentos e cotão do chão da sala que já não vê aspirador há 3 meses. Outras vezes não pensa mais nisso e vai à sua vida.

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Commando explicado às crianças

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Este fim de semana perguntei à minha filha de 5 anos se queria ver o Commando comigo. Ela, formatada pelas opiniões da mãe, parte do princípio que todos os filmes que o pai vê são horríveis pastas de terror, morte, cocó e xixi (mas com menos piada). Ora, tive que puxar por mim para a convencer e expliquei-lhe que o filme seguia a seguinte narrativa:

O rei Matrix e sua filha, a princesa Jenny, moram no mais belo castelo no alto da mais alta montanha. Passam o dia a passear pelas frondosas florestas de castanheiros a brincar com os animais e a comer gelados. Ocasionalmente o rei finge estar distraído e a princesa Jenny suja-lhe o nariz com gelado caseiro de mirtilhos. Um dia o bondoso rei deu folga a todos os soldados para que possam passar o feriado do reino, o Festivus, com a sua família. Nesse mesmo dia, aproveitando o rei e a princesa estarem a fazer cupcakes de morango, o invejoso feiticeiro Bené invade o castelo. O corajoso rei consegue bloquear a invasão e manda alguns ajudantes o maléfico feiticeiro para o céu dos maus. No entanto o feiticeiro consegue enganar o rei e rapta a princesa. O rei, furioso, promete apanhar o maléfico feiticeiro e dar-lhe uma valente tareia.

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O embuste Ninja dos anos 80

embusteninjaO “ninja” é um guerreiro medieval japonês encarregue de matar samurais. Enquanto que o samurai se orienta por um complexo e vinculativo código de ética, os ninjas eram carteiros, peixeiros, pescadores, correctores da bolsa, amoladores de tesouras, decoradores de interiores, etc que se dedicavam a matar sem escrúpulos, escondidos pelo negrume da noite. Ora, nos anos 80 Menahem Golan terá lido meia página na diagonal de um livro de História e decidiu fazer um filme de ninjas. Não o normal ninja japonês, muito desinteressante. Golan criou um ninja mágico, místico, indestrutível, demoníaco, metafísico… Esse filme, Enter the Ninja (1981) haveria de moldar a imagem do ninja na moderna cultura popular, criando um símbolo de guerreiro perfeito, invisível e imbatível. Os que vestem de preto e branco, porque os vermelhos e amarelos são o equivalente às camisolas vermelhas do Star Trek. Só lá estão para fazer “blarghhhh” depois de 3 segundos de tempo de ecrã.

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Mission: Impossible – Rogue Nation. The Chinese Connection

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Apesar de nunca ter sido grande fã de Tom Cruise, várias são as vezes que admito publicamente que é o actor que melhor gere a sua carreira. Tanto pela escolha como pelo papel de produção que desempenha quase sempre para garantir que as coisas correm como planeado, ou pelo menos como ele planeou. Este último Mission Impossible acabou por ser mais fraquinho que os outros, sendo ainda assim um blockbuster acima da média. Não por ser um bom filme, mas porque a média é baixa. E posto isto de parte queria falar-vos na nova tendência de investimento de dinheiros chineses em blockbusters. Reparei que Mission Impossible 5 foi produzido pelo China Movie Channel e pelo Alibaba Movies. Ora, não tenho nada contra as co-produções, sendo uma estratégia muito usada na Europa para unir esforços em pequenas produções para criar obras maiores, que de outra maneira não teriam possibilidade de existir. Com os blockbusters a conversa é outra. O próprio conceito de negócio é maximizar o lucro, vender produtos em paralelo e espalhar ideologias. O blockbuster americano já é um género muito condicionado em temas que pode abordar porque tem que abranger uma gama imensa de público para fazer dinheiro. Nos Estados Unidos são inúmeros os tabus, sejam religiosos, políticos ou morais. Todos sabemos quais são porque vimos blockbusters desde a nascença. Imaginem agora um pequeno exercício matemática de grupos, em que interceptamos os tabus americanos com os chineses e ficamos com uma lista ainda maior de tabus. Se mais um ou outra cultura quiser também investir (muçulmanos, indianos, tailandeses, etc) o âmbito de coisas a abordar tende para zero.  Fiz-vos uns gráficos para elucidar a questão.

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The Visit (2015)

The Visit (2015)

Há cerca de duas dezenas de anos saiu uma NewsWeek cuja capa é hoje motivo de chacota em todo lado que se fala de cinema. Dizia “M. Night Shyamanigans: Next Spielberg”. É verdade, procurem no google. Hoje isto pode soar a exagero, mas na altura tinha algum fundamento. M. Night Shimantics tinha acabado de realizar Sixth Sense e meio mundo tremia orgasmicamente perante aquele fim. Uau, carago, U-A-U! Este homem estava preparado para tomar o planeta de assalto. Ainda realizou Unbreakable com algum fulgor e começou a perder gás com Signs. Toda a gente queria gostar daquele filme, mas era merda. Já o gajo vivia do twist. “Ai ó pá, o twist”. Depois saiu Village e por esta altura já toda a gente se preocupava mais em procurar o caralho do twist do que ver o filme com atenção. Aliás, Midnight Shynanigans é provavelmente o assassino do twist narrativo em cinema. Já parece mal dizer twist, parece uma artimanha manhosa como dream sequence ou deus ex-machina. Mas não é, o twist tem arte e se procurarem há belas lista de frondosos filmes com twist. Agora chamam-lhe “reveal” para não se confundirem com a escumalha dos twist. Ora, a carreira do nosso amigo indian-american haveria de ver dias terríveis. The Lady in the Water, The Happening, The Last Airbender e After Earth arrastaram-no para a lista dos “realizadores putéfia“, os chamados tarefeiros. Bem pagos, grandes orçamento, o habitual freakshow ambulante que é a promoção de blockbusters. Porém o nosso amiguinho castanho-claro acabava as noites a chorar em posição fetal. “Valha-me Shiva e Ganesha. Tanto talento desperdiçado, meus deuses!” pensava. E com razão. O controlo artístico era-lhe completamente removido. Muito glamour, é verdade. Mas os filmes eram hediondos e o seu rabo latejava constantemente pela sodomia corporativa de que padecia diariamente.

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Turbo Kid (2015)

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2015. Um homem dos tempos modernos, com infindáveis afazeres profissionais e domiciliários, precisa do ocasional relax. Não me refiro a desfolhar o jornal local e telefonar à Martinha Quarentona nova na cidade de peitinhos XXXXL e bumbum guloso. Refiro-me ao retiro ocasional num templo de meditação que é um cinema. Ora, numa dessas fugazes submersões no mundo alcatifado dos multiplexes encontrei um velho conhecido. O pai de um grande amigo que se reformara há meia década, um veterano da vida excitante das embaixadas e da intriga internacional. Apesar de ser uma pessoa com quem mantenho bastante contacto e até algum intercâmbio cultural, não o sabia cinéfilo. Faltava algum tempo para o filme e falámos um pouco acerca da cinefilia e das seus efeitos a médio e longo prazo. Familiarizado com mais de meio século de vagas cinematográficas, perguntei-lhe que filmes prefere ver. Os clássicos do existencialismo sueco de Ingmar Bergman? Os heróis da Nouvelle Vague que viu às escondidas no tempo de faculdade? A visão intemporal sobre a boémia decadência da civilização ocidental de Woody Allen? Os movie brats da Nova Hollywood? Fez-me uma cara feia, como quem chupa um limão, levanta as mãos e sorri com aquela cara de quem olha complacentemente para um atrasadinho. “Que horror, Pedro! Eu só vejo filmes de amor. Não preciso de mais nada nesta fase da minha vida, só romances e as conquistas do amor. Esse cenários exotéricos da ficção científica, o hiper realismo e essa violência toda são para os jovens que precisam de viver experiências para se desenvolverem. Eu estou mais perto da morte que da vida, só quero amor e finais felizes.” Arqueei as sobrancelhas e pensei “Caralho do velho tem razão e agora pareço um parolo do Toca Toca Béu Béu*…

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A mortalidade infantil no cinema de terror

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Há uns tempos escrevi o post “5 filmes tenebrosos para quem tem filhos” onde apresentei uma pequena amostra daqueles filmes que nos custa a ver a partir do momento em que pequenas e adoráveis criaturas criadas a partir do nosso material genético (opcionalmente) nos tomam conta do quotidiano. Filmes que antes se viam sem problemas mas que agora são difíceis de engolir porque a empatia é umas das características nucleares do que faz de nós humanos. Ora hoje venho falar-vos de algo ainda mais doloroso, filmes onde se matam crianças. Esta situação passava-me completamente ao lado quando não tinha filhos, afinal era mais alguém a morrer no meio de tantos que são apenas personagens de um filme, não é? Pois é! Mas a malta imiscui-se na trama e acaba por levar aquilo a peito, pelo menos enquanto o está a ver e depois de ter filhos é tramado. Para mim são particularmente dolorosos e mais vale um gajo falar das coisas que nos tiram o sono do que absorver tudo e passados uns anos atirar-se para baixo de um comboio ou levar meia procissão à frente com uma Kangoo a 120 km/h na festa da aldeia.

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Terminator Genisys (2015) e o desastre do casting

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O assunto que aqui me traz é de grave transtorno. Uma negra tristeza que me percorre o sistema nervoso, suores frios nocturnos, a perda de esperança num mundo melhor. Faz semanas que vos quero falar disto, mas parece que se me forma uma bola na garganta que antecede um terrível camadão de nervos. O último Terminator não é grande coisa. É mau, uma obra que não mereceu a atenção merecida aquando da feitura. Uma facada no nosso imaginário e na nossa infância. Não é só o facto de ter trazido spoilers no trailer, é também a situação que retrata esse spoiler ser de um atraso mental que lhes valeria um taxa de IRS de 0% por invalidez total. John Connor é um Terminator, aliás, é o pior dos terminators. Mas como? Quando? Porquê? Que raios… Como é que isto foi acontecer? Não interessa. Pior que isto é o casting, que é terrível. É medonho. Andaram com uma espátula a raspar a zurrapa de Hollywood para nos matar os personagens que tanto amamos. Arnie, o nosso paizinho, é quem cola este acidente de comboio de filme. Faz o que pode, injecta-lhe amor e carinho, aquela quente sensação de um lar, e nas entrelinhas pede-nos desculpa porque gastámos dinheiro naquilo. Há que descobrir o culpado deste desastre e na minha opinião é o casting. Vamos lá analisar estas respas de bosta que encarregaram de protagonizar o nosso tão amado franchise.

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Death Wish – Série “Os Reis do Balázio Vintage”

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Está agora a fazer um ano que empacotei os meus filhos e a minha esposa para casa dos meus sogros e fiquei sozinho durante uma semana. Vi-me num vazio rotineiro que tentei apressadamente preencher. Pegar na bicicleta e ir fazer aqueles passeios que tenho pendentes há anos, ir de mota à Figueira da Foz jantar com os amigos, começar finalmente a fazer jogging, fazer um barco com fósforos, resolver problemas eléctricos na garagem, alterar a combustível do condensador de fluxo (plutónio está caro) ou começar a escrever o tal livro… Depois de muito ponderar optei pela mais lógica: ficar deitado semi nú no sofá a ver filmes, com a migalhas na barriga e as mãos cheias de gordura de pizza, incapaz de colocar em pausa porque os comandos tinham entretanto desaparecido para o limbo dos comandos desaparecidos. Acordar todo torto na sala com o nascer do sol e uma poça de baba ao lado da almofada, sentir-me envergonhado por não aproveitar o tempo e deprimido demais para mudar de actividade. Inventar desculpas para a origem daquelas manchas de gordura no sofá. E com isto aproveitei para rever as sagas Dirty Harry e Death Wish. De seguida em formato maratona, coisa que nunca tinha feito. É esta experiência que aqui quero deixar, escolhendo para vós 3 de cada saga para que possam também organizar uma semana dedicada ao tema “Justiça à força de balázio”.

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Jurassic World (2015)

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Viva amiguinhos! Para este primeiro parágrafo vou pedir-vos que fechem os olhos e me imaginem a descrever com doçura e paixão as memórias que tenho do primeiro Jurassic Park e como ele me moldou a mim e ao cinema em geral. Isto estando eu sentado num confortável sofá vintage com uma manta de patchwork em frente a uma farta biblioteca recheada da mais poderosa literatura do planeta. Alguns livros ainda embrulhados em celofano. Num dos cantos está uma lareira que crepita freneticamente aquecendo as minhas pernas nuas e a música de fundo é Ballade Pour Adeline de Richard Clayderman que aumenta de intensidade à medida que as minhas próprias memórias me obrigam a lacrimejar e a invocar aquela última vez em que a minha tia avó Natércia nos acompanhou ao cinema para ver… exactamente, Jurassic Park de 1993!  E como toda esta narrativa enrola de modo inteligente no início do texto que se seguirá no segundo parágrafo.  Continue reading

Jurassic Park III, uma história de amor

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Esta semana terminei de ver um filme que comecei em 2001. Foi, muito provavelmente, o maior intervalo de tempo que acumulei para terminar um filme.  Jurassic Park 3, um filme patético e infantil de características marcadamente mercantis, cuja intenção seria apenas sugar dólar a saudosistas que 8 anos antes vidraram de emoção com o original de Spielberg. E só o fiz porque, num preguiçoso zapping pelos canais de cabo, me apercebi que nunca o tinha acabado. De imediato o meu primitivo cérebro me transportou para uma era diferente, para os vertiginosos tempos do início do milénio. Um tempo de leite e mel, de relações saudáveis, das tardes de café, das noites de verão esquecidas sob os plátanos da Praça da Republica, de ir trabalhar de directa com o cérebro apenas a apanhar estática. Antes do euro, antes que os compromissos da vida adulta me enraizassem nestas rotinas que me apodrecem as carnes e me toldam o espírito dia após dia (após dia), levou-me para uma época mágica, uma época em que se viveu a melhor de todas as histórias de amor, a minha!

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