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Thor (2011)

Thor-Movie

Emboscado por uma avalanche de crítica surpreendentemente positiva, atirei-me com unhas e dentes a Thor. Como poderia um filme cujo personagem principal ter o aspecto apaneleirado do desconhecido quinto membro dos ABBA e  envergar o fato mais estratosférico de sempre ser considerado um clássico instantâneo? Bem, aparentemente hordes de pacatos e bem intencionados cinéfilos caíram na bem urdida “Armadilha Shakespeare”. Esta armadilha não é original nem sequer é um artefacto raro. É usada em abundância pela indústria cinematográfica americana mas a fúria assassina daqueles que são constantemente enganados por ela acaba por se esvair num modesto nada devido à habitual falta de concentração provocada pela hiper-estimulação que essa indústria usa para nos manter sedados.

Mas afinal que “Armadilha Shakespeare” é esta que Kenneth Branagh usa em Thor? Para começar, a ideia de usar Kenneth Branagh como tarefeiro é genial, uma vez que nos transporta imediatamente para um imaginário de cinema de alguma qualidade e elementos com ligeiro cheiro a Shakespeare. Aqueles que sobrevivem esta primeira onda de pretensiosismo por osmose embatem fortemente numa elaborada campanha mediática que consiste em reforçar os elementos da obra desse ultra-utilizado poeta inglês neste Thor. Um filho príncipe que questiona o pai e o sua demanda para se tornar um rei justo através de um conjunto de provas que o fazem compreender a verdadeira dimensão do seu destino, os ódios figadais intra-povos que afinal até podem ser sanados com um pouco de relações públicas e alguma bruxaria Viking.

É esta “Armadilha Shakespeare” que serve de catalizador àqueles que teriam considerado em manter Thor como Guilty Pleasure e que agora lhe fazem publicamente o upgrade para “Rico filme sim senhor, muito provavelmente a melhor adaptação de comics de sempre (again) e para quando um Oscar para filmes mainstream de Super-Herois e uma categoria para personagem inteiramente CGI como aquele macaco ou o duende de olhos grandes do que me fez chorar baba e ranho quando morreu estupidamente no penúltimo Harry Potter?”  Mais coisa menos coisa…

Isto claro, é apenas o meu ódio a falar por si. Mas o que eu achei realmente do filme não fica muito além daquilo que o meu preconceito já vinha anunciando antes sequer de ter entrado na sala.

Podemos dividir Thor em três partes, facilmente identificadas como “Actos” ou “Atos” com a nova ortografia que tanto odiamos mas vamos ter que mamar como pequenas vaquinhas refilonas que somos. Na primeira parte o universo dos Deuses, intermináveis fluxos de arco-iris sobrepostos em puro caleidoscópico technicolor, um eden de perder de vista e o guarda roupa reciclado de Xena, a Princesa Guerreira. Deuses, reis, rainhas e a habitual opulência sobrenatural de qualquer reino imaginário que se preze. Thor cai em desgraça e perde o seu martelo. Parte 2, planeta Terra, cidade no fim do mundo, aparentemente criada de raiz como cenário. Thor tenta ganhar a sua humanidade e o cheiro a vagina incandescente de Natalie Portman ajuda-o a seguir o caminho dos justos e nobres. Partes 3, CGI Porn Fest em que a tarefa de compreender o que se passa apenas se torna possível pela simplicidade quase narcolaptica do guião. Fim. Não, afinal não é fim. Agora sim, é o fim. Mais valia ter sido no primeiro fim. Moral da história? “Aquilo a que vocês chamam ciência é aquilo a que nós chamamos magia”. Thor, se me estás a ouvir, podes muito bem enfiar esse martelinho no rabo para a próxima vez que procurares dar profundidade a um momento…

É, quanto a mim, alma pobre e afectada por uma visão enegrecida do mundo que pode muito bem ser apenas fruto de um cérebro com problemas funcionais, um filme reles. É pobrezinho, unidimensional e os personagens nunca passa do estado caricatural de um sketch do Saturday Night Live ou o do Conan O’Brien. Serve apenas como desculpa esfarrapada para cuspir um Avenger à laia de prequela do Avengers que estreia para o ano que que, provavelmente, irá ser da mesma classe de “bardamerda” deste Thor.

19 Comments

  1. O green lantern? já vistes?

  2. O Green Lantern só quando sair em 720p. E se tiver 40 minutos livres para o ver com atenção.

  3. Fogo… tanto vómito em forma de texto que até as letras desfilam azedume pior do que quando um ramadola deixa escapar um bafo (que se vai novamente embebedar sobre uma tremenda bebedeira).
    Hate total… já o do Capitão América foi uma prosa celestial, agora o Thor… falta X-Men e o Lanterna Verde.

    Quem Xunga escreve… dá nisto!
    (Mas deu para rir… e essa dos 40 min livres para ver com atenção… lol está fixe!)

  4. o 720p saiu hoje pedro, andas desatento 😀

  5. Pois saiu. Versão extended com 124m? Holy long crap, Batman!

  6. Cheira-me que este greenlantern é + papável que o Thor, nem que seja por não se levar tão a sério (aparentemente pelo menos), embora esses 124m estejam a pesar…
    Realmente não percebo os elogios da crítica e do público no geral a estas adaptações da marvel + recentes… fora talvez o novo x-men, em que o Matthew Vaughn (Kick-ass !) la safou qq coisita.
    As 3 personagens da terra (a Natalie e os amigos) são absolutamente irreais e insuportáveis, e obrigam qq cérebro com o QI nos 3 digitos a desligar automaticamente, ou a recorrer à galhofa até à proxima cena.. o que ja se tem tornado um hábito blockbusteriano, infelizmente.

  7. ohhhhh pedro… vim aqui só para te dizer que eu mordia sem dificuldade o desconhecido quinto membro dos ABBA, mesmo com o ar apaneleirado é que o gajo tem fronha de quem sabe o que fazer com as belas ancas que tem e avultados centímetros de tamanho. Isto tudo, mesmo não gostando muito de loiros.

    Entretanto no meio disto tudo fiquei intrigada com a ramadola do Arm. Será uma espécie de virose?

  8. o filme é uma bela merda, só o loki é que se safa

  9. ASofia, a mim parece-me é que esta malta aqui a cima deve ter visto o outro filme do Thor: http://www.imdb.com/title/tt1792794/

  10. Sócio: “The legend is born” 🙂

  11. He cames de rain

    October 4, 2011 at 11:24 am

    Este filme é uma verdadeira dose de batido de alho com pipocas.

    Haverá maior perda de tempo do que ver esta(s) bosta(s) milionárias??

    Já viste o Drive? Esse sim, é um filmaço em que cada minuto despendido te parece pouco para tal beleza cinematográfica. Para já o melhor filme do ano. (Em Portugal acho que ainda tens que esperar para estrear, mas não percas;-))

  12. Eu não o teria dito melhor, revejo-me em cada palavra, onde anda o Kenneth Branagh do Hamlet e do Much ado about nothing? O Hulk do Ang Lee é bem melhor que este Thor do qual tinha lido tão boas críticas mas se revelou uma valente bosta sob a forma de martelo. Nem a Natalie Portman salva aquilo. E nem falo da cena dos deuses nórdicos serem et’s. E ainda vi por lá o Luther a fazer de Heimdall. Credo

  13. Olá Pedro,

    Sou leitor do Cinema Xunga e sou cinéfilo de carteirinha. Eu estou mandando esse email porque estou trabalhando numa empresa que desenvolveu um portal sobre cinema – o Cinema Total (www.cinematotal.com). Um dos atrativos do site é que você cria uma página dentro do site, podendo escrever textos de blog e críticas de filmes. Então, gostaria de sugerir que você também passasse a publicar seus textos no Cinema Total – assim você também atinge o público que acessa o Cinema Total e não conhece o Cinema Xunga.

    Se você gostar do site, também peço que coloque um link para ele no Cinema Xunga.

    Se você quiser, me mande um email quando criar sua conta que eu verifico se está tudo ok.

    Um abraço,

    Marcos
    http://www.cinematotal.com
    marcos@cinematotal.com

  14. o Luther a fazer de Heimdall 🙂 🙂
    curiosamente também achei que estava a ver “Stringer Bell” com umas roupas esquisitas

  15. Que posso eu dizer, a última coisa que eu estava a imaginar era o Luther a fazer de deus nórdico. Ao menos era assim para o atormentado na mesma 😉

  16. E embora eu goste muito do The Wire aquele gajo para mim agora é o Luther. Onde quer que o veja tenho que dizer ” Epá, que é que o Luther tá aqui a fazer???”

  17. Entao prepara-te porque correm boatos que o idris vai ser o proximo bond… pronto já disse 🙂

  18. A serio? Espero que nao, nao só nao o consigo imaginar como bond como acho que o actual e o melhor desde o sean. O solace foi mau mas o casino foi o melhor bond de há muitos anos para ca. E nao e idris, e luther, o nome dele e luther 😉

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