Têm visto o Wishmaster (1997) ultimamente? Pois eu revi há uns tempos e bateu logo aquela nostalgia misturada com um “olha o que estamos a perder”. Mal arranca a sequência de abertura, sente-se logo o quanto o cinema de terror tem vindo a mudar, e não necessariamente para melhor. Estamos atualmente entregues ao “terror elevado” (sic), que, para mim, é só um tipo de terror mais presunçoso e armado ao pingarelho. Este filme pertence à era dourada do final dos anos 90, em que começaram a aparecer alguns efeitos digitais, mas em que a malta ainda se divertia a sério com coisas horríveis, sem culpas, sem complexos e algum sadismozinho típico da primeira época da Internet.
A história apresenta-nos um génio, um Djinn, mas esqueçam lá a imagem azul da Disney com a voz do Robin Williams. Este é um brutalhão monstro e grotesco que sai de uma joia para realizar desejos, mas de uma forma completamente subvertida. Um entidade maléfica sem conceitos de subjetividade nem sarcasmo. È literal e sádico: se alguém lhe pede para não ver um cão a ser morto, ele simplesmente deixa a pessoa cega. É um filme de 90 minutos de pura diversão e muito gore, realizado pelo Robert Kurtzman, que é um senhor dos efeitos especiais e que já nos deu pérolas como From Beyond ou TerrorVision.
O Djinn é interpretado pelo magnífico Andrew Divoff, um ator que parece ter sido feito para este papel e que brilha no meio desta “árvore de Natal” cheia de cenas de morte gráficas e criativas. O filme não tem medo de parecer pateta ou idiota, é muito vocacionado para o entretenimento puro e duro. A saga ainda continuou por mais três filmes, sendo que os dois primeiros com o Divoff são os que realmente contam, porque o terceiro e o quarto já são coisas que ninguém toca nem com um pau de cinco metros.

Se forem pessoas perfeitamente normais, ou até se forem um bocado varados da mona, vejam isto em qualquer altura. É um legado do cinema que não deve ficar para trás e que, englobado na sua bolha temporal, funciona que é uma maravilha. Até o podem ver na noite de Natal com a vossa avozinha, que ela certamente vai adorar esta reviravolta no conceito do génio da lâmpada.
Achas que o terror hoje em dia se leva demasiado a sério ou sentes falta desta javardice divertida dos anos 90?
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